quarta-feira, setembro 27, 2006

Absurdo publicado pela Célia Chaim (IstoÉ)

Segue abaixo a carta que enviei a IstoÉ, sobre a reportagem da jornalista Célia Chaim, "A suave rebeldia do Papa":


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Saudações!

Escrevo acerca da reportagem "A suave rebeldia do Papa". Meu pai é assinante da IstoÉ há mais de 3 anos e eu tenho que admitir que, sabendo previamente do total despreparo com que a imprensa brasileira trata assuntos religiosos, não pensava que o descompromisso com a verdade chegasse a tanto!

Em primeiro lugar, gostaria de pedir a editoria ou a própria jornalista ou ainda a quem quer que me esteja lendo, que publique as fontes que a jornalista usou. Aliás, copiou diversos trechos até!

Pergunto: é assim que se faz jornalismo? Acho que a IstoÉ deve até algum dinheiro ao jornalista italiano Vittorio Messori... Se ainda a jornalista fosse um pouco original!

Alguns trechos:

Isto É:
"[o Papa] tem surpreendido muitos católicos, antes desanimados, com a simplicidade que marca seus esforços e decisões para tornar a Igreja menos "papacêntrica". Não quer que a Igreja se converta exclusivamente no homem que a guia. Procura ser o menos invasivo possível."

Messori:
"Ratzinger quer tornar a Igreja menos 'papacêntrica'. O carisma de Wojtyla, de alguma maneira, fez com que a Igreja se identificasse com um homem, mas Ratzinger procura ser o menos invasor possível. Não quer que a Igreja se converta exclusivamente no homem que a guia".

A entrevista do Messori - ao jornal Corriere della Sierra - pode ser encontrada em www.acidigital.com

Mais adiante, a jornalista dá uma informação exclusiva, e certamente falsa: "Papa ouviu por longo tempo o brasileiro Leonardo Boff". Avisem, por favor, a Célia da existência do Boletim de Imprensa do Vaticano, que não a deixa mentir... O papa se encontrou, de fato, com o teólogo alemão Hans Kung, com Boff não.

Seguindo a seqüência de sandices:

"As mudanças iniciadas por Bento XVI tiveram um marco: a encíclica Deus é amor, lançada no começo do ano. No documento, ele nomeia 15 novos cardeais e começa a mexer na poderosa cúpula romana."

Revela que a pobre jornalista não sabe o que diz, ou melhor, escreve. A encíclica Deus Caritas Est não fala nada de novos cardeais, muito menos de rearranjo algum na Cúria! O que revela? Mais uma vez que a jornalista, além de escrever besteiras, tem um sério problema de compreensão. Tergiversou completamente o que quis dizer a BBC:

BBC Brasil:
"O papa Bento 16 divulgou o seu primeiro documento - a Encíclica "Deus é Amor" -, nomeou 15 novos cardeais e começou a mexer na poderosa Cúria Romana."

Por favor, a ensinem o uso dos travessões! Vejam como as vírgulas servem para separar itens de mesma classe gramatical!

E ainda tem mais! A jornalista parece ter um problema com a matemática: "Explicação para os seis meses de espera entre sua escolha e a publicação da encíclica: Bento XVI é habitualmente lento e reflexivo. Esperou para ter conhecimento antes de tomar decisões que devem arejar e revolucionar a Igreja".

Faça-se público: o Pontífice foi eleito em abril de 2005.

Quantos meses são de abril até janeiro???

Sem falar que a jornalista copia o infame comentário da BBC, novamente:

BBC Brasil:
"Lento e reflexivo, esperou para ter conhecimento da situação antes de tomar decisões que devem revolucionar a Igreja, segundo observadores do Vaticano".


Ainda tem mais! "No que se refere ao aborto, ele [o Papa] recorre ao sexto mandamento – não matar – para reforçar sua condenação". O papa recorrendo ao sexto mandamento - não matar? Mas não matar é o quinto mandamento! O papa esqueceu-se dos mandamentos?

Confira o que o Papa disse:

"No que se refere ao aborto, ele não entra no sexto, mas no quinto mandamento: "Não matar!". E isso nós devemos pressupor como óbvio, reafirmando sempre que a pessoa humana tem início no seio materno e permanece pessoa humana, até seu último suspiro. Por isso, deve ser sempre respeitada como pessoa humana".


Ainda segue copiando inclusive os adjetivos que Messori utiliza:

Isto É:
"Outro bom indício de mudança: Bento XVI quer simplificar as coisas. Ele não gosta do barroquismo e da hipertrofia burocrática da Cúria".

Entrevista de Messori:
"Em relação à visão do Bento XVI sobre o modelo que a Cúria Romana deve ter, o jornalista [Messori] assinala que 'este Papa quer simplificar as coisas. Ratzinger não gosta do barroquismo curial e a hipertrofia burocrática. Procura simplificar, aliviar as coisas'".


Interessante... "barroquismo curial" e "hipertrofia burocrática" utilizados por uma pessoa que não identifica o sentido de uma frase simples porque se confunde com o uso dos travessões e de vírgulas?


Ainda fala da cegueira do Papa utilizando-se de um recorte de uma entrevista - recorte este altamente fora de contexto. Confira a tergiversação do sentido e a resposta do Papa:


Isto É:
"Numa de suas raras entrevistas, foi indagado sobre outro ponto polêmico no comportamento da Igreja Católica em relação a problemas cruciais como, por exemplo, a fome, a miséria, as epidemias. "Em toda a África e também em muitos países da Ásia temos uma grande rede de escolas de todos os níveis onde, antes de tudo, se pode aprender, adquirir verdadeiro conhecimento profissional e, com isso, obter autonomia e liberdade." Seus críticos não o perdoaram por tamanha cegueira em relação a um povo faminto até a alma. Foi um grande deslize, para muitos imperdoável a um pastor bem-intencionado. "Foi uma demonstração de que ele ainda não se livrou completamente do elitismo de seus antecessores", comentou um jornal italiano".


Bento XVI:
"Nós necessitamos de duas dimensões: é preciso, ao mesmo tempo, a formação do coração – se posso assim me expressar – com o qual a pessoa humana adquire as referências e aprende, assim, a usar corretamente a técnica, que também é necessária. E é isso que
procuramos fazer. Em toda a África e também em muitos países da Ásia, temos uma grande rede de escolas de todos os níveis, onde, antes de tudo, se pode aprender, adquirir verdadeiro conhecimento e capacidade profissional, e, com isso, obter autonomia e liberdade. Nessas escolas, procuramos não apenas ensinar o know-how, mas também formar pessoas humanas que queiram reconciliar-se, que saibam construir e não
destruir, e que tenham as referências necessárias à convivência. Em grande parte da África, as relações entre muçulmanos e cristãos são exemplares. Os bispos formaram comissões conjuntas, com os muçulmanos, para buscar estabelecer a paz nas situações de conflito. E essa rede de escolas, de aprendizagem e de formação humana, que é muito importante, é completada por uma rede de hospitais e de centros de assistência, que alcança, de maneira capilar, até mesmo as aldeias mais remotas. E em muitos lugares, depois de todas as destruições da guerra, a Igreja permanece como único poder intacto _ não poder, mas realidade! Uma realidade onde se tratam também os doentes de AIDS, e onde, por outro lado, se oferece uma educação que ajuda a estabelecer as justas relações com os demais. Por isso, creio que deveria ser
corrigida a imagem segundo a qual semeamos, em torno a nós, somente rígidos "Não!". Exatamente na África, se atua muito, para que as diversas dimensões da formação possam se integrar e, assim, se torne possível superar a violência e também as epidemias, entre as quais precisamos incluir também a malária e a tuberculose".



Sinceramente, espero que a jornalista tenha um pouco mais de cuidado com o que escreve da próxima vez. É bom que se estude um pouco mais antes de falar besteiras sobre o Santo Padre. Não é justo, muito menos, utilizar-se de textos de terceiros sem as devidas referências. Nem justo com o autor, no caso de Messori, um excelente jornalista, nem com o leitor, que absorve informações completamentes erradas. Isso é jornalismo???

Perdoe-me o tom agressivo, é fruto da minha indignação.

Atenciosamente,
Erickson Oliveira.


Pelo menos eu tenho a coragem de mostrar de onde tirei. As "investigações" e a grande parte da estrutura dessa carta foi retirada do boletim semanal "Cooperatores Veritatis"

2 Comments:

Blogger dwainflynn2988785781 said...

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11:10 PM  
Blogger TOTVS CATOLICVS ET APOSTOLICVS PLENIS ROMANVS said...

Muito bom Erickson!

Carlos Eduardo Maculan

2:01 PM  

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